NOVO LÍDER DE MOEMA GRAMACHO: Geddel teria feito cobranças para receber R$ 1 milhão de Uldurico Jr. após eleições de 2024, diz depoimento

Bahia Lauro de Freitas Região Metropolitana Salvador

Uma das principais lideranças do MDB na Bahia, o ex-ministro Geddel Vieira Lima foi citado no depoimento da ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, como um possível beneficiário da propina de R$ 2 milhões pela facilitação na fuga de 16 detentos da unidade prisional, ocorrida em dezembro de 2024. Conforme delação premiada, Geddel teria acordado com o ex-deputado federal Uldurico Júnior, à época filiado ao MDB, o recebimento de metade da quantia, ou seja, R$ 1 milhão.

“Oportunamente, observa-se que o investigado GEDDEL VIEIRA LIMA foi apontado pela colaboradora como possível beneficiário de valores oriundos da fuga do presídio de Eunápolis, ao passo que ULDURICO ALVES PINTO, genitor de ULDURICO JR., foi indicado como intermediário no repasse de vantagens indevidas decorrentes de atos de corrupção. Diante de tais elementos, o aprofundamento das investigações revela-se medida imprescindível”, apontou o Ministério Público da Bahia (MP-BA).

O Bahia Notícias obteve acesso ao depoimento da ex-diretora e detalha as informações encontradas na delação ao longo de cinco reportagens em uma série chamada “Duas Rosas”, sendo esta, a segunda. Na primeira matéria detalhamos a relação de Joneuma com Uldurico Jr. e procura feita após as eleições de 2024.

CONSULTOR
Ao longo do depoimento de Joneuma, é percebido que Geddel é identificado nos diálogos de um aplicativo de mensagens como “chefe”. Nas conversas, o ex-ministro, ao mesmo tempo que fazia cobranças, é mostrado como uma espécie de consultor, auxiliando Joneuma e Uldurico durante embates entre os dois.

Nas mensagens, a ex-diretora demonstrava nervosismo após a fuga dos detentos e, principalmente, após ser afastada do cargo de diretora em Eunápolis por decisão da Justiça. Em uma mensagem datada no dia 18 de dezembro, um dia após ela ser retirada do comando, Uldurico tentou acalmar Joneuma dizendo: “Geddel pediu tempo”.

Em outra ocasião, no mesmo dia, Uldurico afirmou que Geddel teria orientado Joneuma a “mergulhar” (manter discrição), pois, segundo ele, decisão da Justiça se limitaria apenas ao afastamento administrativo.

DISTORCER
Uldurico alegava que Geddel iria ficar com metade da propina de R$ 2 milhões que seria paga pela facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE) em razão da facilitação da fuga de dezembro de 2024. No entanto, durante as conversas, não há menções diretas de que o ministro tinha conhecimento da colaboração entre o ex-deputado federal e o grupo criminoso.

No dia 21 de dezembro de 2024, Uldurico enviou mensagens a Geddel com o objetivo de atribuir a culpa a terceiros, mais especificamente, no então superintendente de Gestão Prisional da Seap, Luciano Teixeira. Em uma dessas mensagens, Uldurico afirma expressamente: “Parece que o Luciano está por trás da fuga dos presos de Eunápolis”.

Uldurico também enviava a Geddel links de matérias jornalísticas encomendadas por ele no site “Gazeta da Bahia” e documentos oficiais de cobrança para sustentar a tese de que a culpa seria da Seap e de sua cúpula.

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