O senador Jaques Wagner (PT) recuou nesta segunda-feira (23) depois de ter “cravado” publicamente a chapa governista para as eleições estaduais. Em agenda em Feira de Santana, o petista afirmou que a decisão oficial cabe ao governador Jerônimo Rodrigues (PT), que está em viagem à Asia, e ao conselho político da base aliada.
Na última sexta-feira (20), Wagner havia antecipado a formação da chapa com Jerônimo à reeleição, ele próprio e o ministro da Casa Civil Rui Costa (PT) disputando as duas vagas ao Senado, além da manutenção de Geraldo Júnior (MDB) como vice-governador. A declaração gerou forte repercussão nos bastidores, especialmente diante das movimentações recentes na base.
Mudança de tom
Nesta segunda, Wagner tratou de suavizar durante agenda em Feira de Santana, e classificou sua fala anterior como uma “emissão de ideia”.
“. Segundo ele, quem “bate o martelo” é o governador e o conselho político. “Quem comanda o espetáculo é Jerônimo e o Conselho Político”, afirmou o senador, sinalizando que não pretende atropelar o chefe do Executivo estadual. O recuo ocorre após a saída do senador Angelo Coronel (ex-PSD) da base governista, movimento que redesenhou o cenário interno e reduziu as disputas por espaço na chapa majoritária.
Dois ex-governadores no Senado
Mesmo com o tom mais cauteloso, Wagner deixou claro que defende a repetição da estratégia considerada vitoriosa em 2022. A proposta envolve dois ex-governadores disputando o Senado, ele próprio e Rui Costa, enquanto Jerônimo tentaria a reeleição ao Palácio de Ondina. “O time que está ganhando não se mexe” , declarou, ao reforçar que, em sua avaliação, a fórmula deveria ser mantida.
Disputa interna e sinalização política
Nos bastidores, o movimento de Wagner foi interpretado como tentativa de consolidar espaço antes das definições oficiais. A antecipação da chapa teria causado desconforto entre aliados, sobretudo diante da necessidade de acomodar forças partidárias e lideranças regionais.
A palavra final, no entanto, dependerá da articulação conduzida por Jerônimo Rodrigues e pelas instâncias partidárias, que avaliam impactos eleitorais, alianças e composição regional.
O episódio escancara que, embora o PT tente transmitir unidade, a formação da chapa majoritária ainda é terreno de disputa e no tabuleiro baiano, cada movimento conta.

