O senador Jaques Wagner (PT), candidato à reeleição, ocupa a sexta posição no ranking nacional de candidatos que mais destinaram recursos próprios às suas campanhas nas eleições de 2026. Segundo dados da plataforma oficial de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), consultados nesta sexta-feira (18), o petista registrou uma doação de R$ 533 mil para a própria candidatura.
No recorte entre os candidatos da Bahia, Wagner aparece na primeira posição. O montante chama atenção diante de outro dado envolvendo o parlamentar. Em junho, durante uma etapa da Operação Compliance Zero que teve Wagner como alvo, a Polícia Federal (PF) apreendeu US$ 49 mil em espécie em um quarto do Brasília Palace, hotel onde o senador costuma se hospedar quando está na capital federal.
Na mesma operação, também foram apreendidos 33,5 mil euros e US$ 6,175 mil no endereço de Wagner em Salvador. Considerando a cotação atual das duas moedas, os valores encontrados em espécie correspondem a aproximadamente R$ 482,3 mil.
Desde junho, ele é investigado em um dos desdobramentos da Operação Compliance Zero, que apura suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento político envolvendo o Banco Master e empresários ligados à instituição financeira.

Segundo a Polícia Federal, há indícios de que o senador tenha recebido vantagens indevidas em troca de atuação política favorável aos interesses do grupo investigado. Entre os benefícios apontados pelos investigadores estão a suposta aquisição de um apartamento de luxo em Salvador avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões, voos em aeronaves privadas, ingressos para um show da cantora Taylor Swift e repasses de R$ 3,5 milhões para uma empresa ligada ao núcleo familiar do parlamentar, com seu enteado Eduardo Sodré, atual secretário de Meio Ambiente de Jerônimo Rodrigues (PT). A PF também aponta indícios de que Wagner mantinha investimentos em certificados de depósito bancário (CDBs) do Banco Master.
A investigação ocorre no mesmo ano em que o senador declarou à Justiça Eleitoral patrimônio superior a R$ 24 milhões. Em 2018, Wagner havia informado bens de aproximadamente R$ 3,3 milhões. A diferença representa um crescimento de cerca de 630% em oito anos.
Na declaração de bens apresentada para as eleições deste ano, o item de maior valor é um crédito de R$ 13.834.129,00 decorrente da venda de um imóvel para o Esporte Clube Bahia e para a Lagoons Empreendimentos SPE Ltda.
Segundo reportagem da CNN, o terreno em questão teve valorização de 11.400% após uma obra realizada durante a gestão de Wagner. Ainda de acordo com a publicação, em junho, o senador tentou vender o local por R$ 15 milhões um dia após ser alvo da operação da Polícia Federal relacionada ao caso do extinto Banco Master.
A transmissão do imóvel, no entanto, foi barrada por um cartório de Camaçari após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o bloqueio de bens de Jaques Wagner.
